Seguindo as Baleias-Jubarte

O monitoramento das baleias-jubarte resultou em informações inéditas sobre a ecologia desses animais.

O PMBS foi pioneiro em desvendar as rotas e os destinos migratórios das baleias que se reproduzem no Brasil e descobriu que elas migram a partir da porção sul do Banco dos Abrolhos e utilizam águas oceânicas afastadas da costa durante a sua viagem para áreas de alimentação no Oceano Antártico. Além disso, o projeto demonstrou que o uso dessas rotas varia muito pouco ao longo dos anos, ou seja, ela são usadas por diferentes animais de maneira consistente. Uma outra importante descoberta do projeto foi a de que as baleias conseguem manter cursos relativamente constantes por centenas de quilômetros durante a migração o que sugere que esses animais possuem um mecanismo sofisticado de navegação.

Antes do uso da telemetria satelital, as áreas de alimentação das baleias-jubarte que se reproduzem no Brasil eram desconhecidas. O acompanhamento dos primeiros animais marcados pelo projeto mostrou que essas baleias viajam para regiões remotas nas proximidades das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul no Oceano Atlântico. Esses locais correspondem às zonas de maior produtividade do krill antártico, um pequeno crustáceo planctônico que constitui o principal alimento das baleias no Hemisfério Sul. A descoberta das áreas de alimentação das baleias brasileiras mostrou também que essa população foi a primeira a ser atingida pela caça industrial na Antártica. As primeiras estações baleeiras foram estabelecidas no inicio do século XX na Geórgia do Sul. Em menos de 10 anos, mais de 25 mil animais foram mortos nessa região, o que resultou numa redução populacional de mais de 95% e praticamente dizimou as baleias-jubarte brasileiras.

Em 2012, o PMBS introduziu o uso de transmissores satelitais que não apenas registram a posição das baleias, mas também coletam dados ambientais e comportamento de mergulho. Com isso, o Projeto pode descrever de forma inédita o que as baleias fazem durante a migração entre o Brasil e suas áreas de alimentação. E os resultados foram fascinantes. Uma das baleias marcadas mergulhou a profundidades de 350m logo apos iniciar a migração. Mergulhos profundos como esses são incomuns para baleias que se alimentam de plâncton. Não se sabe ainda a razão desses mergulhos, mas é possível que os animais estejam buscando alimento para suprir necessidades metabólicas durante um período de grande demanda energética como a migração.

Nos últimos anos, os resultados do PMBS tem sido orientados também para auxiliar na avaliação populacional e na descrição do habitat em relação ao desenvolvimento de atividades de exploração e produção de petróleo no Brasil. Um estudo realizado nas Bacias do Espirito Santo e Campos permitiu avaliar o habitat critico dos animais com a expectativa de que ele estimule os órgãos competentes e a indústria a explorar áreas ambientalmente menos sensíveis.

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